QUANDO ESTIVE POR TI CHORANDO, parecia que minha alma toda se sacudia abalada
Como que por um terromoto
Misturando ao vivo todas as lembranças
Boas e nem tanto,
As mais novas e as mais antigas.
Hoje não choro.
Vivo!, pra isso não me demoro.
Meu coração bate, mas é firme como a montanha.
Minha alma flexível como o vento.
Não-querido, já por ti não lamento.
Meu não-caro rapaz,
Meu piano toca um alegro em paz.
Poesia de: Francine Maria Reis *Nota: Existe um trecho que foi adaptado de "Manuelzão e Miguilim" de João Guimarães Rosa. Vocês conseguem descobrir qual é?
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
12:03 PM
23.3.05
Poema Urbano - Uma Dedicatória
( Produzido sem nenhum contato manual )
Alguém já fez poesia operária?
Alguém já dedicou um único verso aos operários?
Alguém já dedicou poemas às domésticas?
E aos lixeiros,
Aos faxineiros,
Aos ajudantes de serviços gerais,
Ao porteiro do prédio,
Ao tiozinho guardador de carros nos parques da cidade,
Aos pedreiros,
Aos calheiros,
Aos eletricistas,
Aos motociclistas que arriscam a vida por nossa pizza,
Aos encanadores,
Aos pintores,
Aos catadores de papel e latinhas de alumínio,
Aos seguranças de condomínio,
Aos trabalhadores braçais da cidade?
Presto minha homenagem à todos eles.
Dedico meus versos caóticos, como a cidade,
Sem métrica e com rimas de acaso, à todos eles:
À todos
ELES e ELAS;
Todos os porteiros de todos os prédios,
Todos os carteiros,
Todos os serventes de pedreiros,
Todos os desempregados desesperados
Toda esta gente que não lê poesia,
Mas muitas vezes são a própria em dor.
Este verso dedico à todo aquele que pegou no batente.
Este outro à quem faz moradia prá gente;
Outro ainda pr'áqueles que fazem estradas que nos levam prá frente;
Aos professores que nos abrem a mente,
Aos que escrevem cartas de Esperanças para o Nordeste, morando em São Paulo o remetente,
Aos Sonhos deste Povo, lançados ao vento como sementes.
Dedico meus versos ao suor derramado por toda esta gente
Com orgulho
Que olho, vejo, noto, respeito e aprecio,
Este encarar a vida corajosamente.
Deus abençôe toda esta gente!
Poesia de: Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:23 AM
14.3.05
QUERO AJUDA para não precisar de ajuda,
A não ser de vez em quando.
Ajuda para ser lembrado.
Ajuda para ser esperado.
Ajuda para saber por onde na vida ando.
Ajuda para ser telefonado.
Ajuda para ser abraçado.
Ajuda para quando o meu corpo ou espírito estiver machucado.
Ajuda para quando estiver abalado ou acabado,
Possa por meus amigos ser amparado.
Ajuda para quando como um vaso estiver quebrado,
Possa pela amizade e o amor ser recolado.
Desejo ajuda para ter a humildade de ser consolado.
Ajuda para não perder as coisas boas que no coração tenho guardado.
Desejo mais tudo, ajuda para ser amado.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
10:55 AM